quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ação anti-HIV da ONU busca avanços na BA

Reportagens

Salvador, 30/09/2010
Ação anti-HIV da ONU busca avanços na BA
'Iniciativa Laços SociAids' mobiliza esforços de vários setores e ajuda combate ao vírus nas microrregiões de Juazeiro e Vitória da Conquista
Divulgação
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do PNUD

O mês de novembro será marcado por uma grande mobilização para o fortalecimento de capacidades na resposta à epidemia da Aids na Bahia. É quando acontece o 1º Congresso Baiano de DSTs, Aids e Hepatites Virais – Integralidade da Assistência e Consolidação de Redes: dos Avanços aos Desafios. O encontro será realizado entre os dias 16 e 19, na cidade de Vitória da Conquista.

De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que 630 mil pessoas sejam portadoras do vírus HIV no Brasil. Na Bahia, com população de mais de 14 milhões de habitantes, o primeiro caso foi registrado em 1984 e, desde então, até abril de 2009, 10.452 ocorrências foram notificadas. Dessas, 6.913 pertencem ao sexo masculino e 3.539 ao feminino, totalizando uma média de 5,7 casos por 100 mil habitantes.

As Nações Unidas estarão presentes no 1º Congresso Baiano de DSTs, Aids e Hepatites Virais divulgando a parceria que desenvolvem com o governo federal, o governo da Bahia e também com os municípios das microrregiões de Juazeiro e Vitória da Conquista – a chamada "Iniciativa Laços SociAids", que visa a apoiar e a fortalecer uma resposta multissetorial e ampliada à epidemia de Aids na Bahia.

As microrregiões de Juazeiro e Vitória da Conquista contemplam 28 municípios e, aproximadamente, um milhão de habitantes.

As atividades da "Iniciativa Laços SociAids" incluem três eixos prioritários: prevenção à transmissão vertical do HIV e da sífilis, promoção da saúde nas escolas e enfrentamento à feminização da epidemia da Aids e outras DSTs.

Dentro dessas atividades, o PNUD contribuirá, em abril de 2011, com iniciativas na área de promoção da governança, para que os esforços setoriais e governamentais sejam conjugados no combate à epidemia.

A iniciativa visa a atender ao desejo de apoiar grupos de risco onde historicamente a resposta à doença ainda representa um desafio, tais como jovens de 13 a 24 anos, presidiários e mulheres, entre outros.

Entre esses grupos, observa-se um crescimento nos casos de infecção por mulheres na faixa de 13 a 19 anos, de acordo com o 2º Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde.

Também percebe-se uma tendência de crescimento dessa faixa, segundo relatório do UNAIDS, apesar de, na população em geral, a incidência ser de 15 homens para cada 10 mulheres, o que reforça também a importância de se trabalhar saúde e educação nas escolas.

"O próprio governo federal já identificou a importância de se integrar saúde e educação no combate à epidemia. Nesse ponto, o PNUD tem uma participação essencial, que é a de apoiar na identificação e elaboração de planos conjuntos de ação na resposta à epidemia de forma a efetivá-los por meio dos princípios de governança", explica Joaquim Fernandes, oficial da agência da ONU.

"Isso garante que a temática seja abordada de forma transversal, atingindo todas as esferas envolvidas", acrescenta.

Reuniões de acompanhamento

A partir desses temas e atividades são gerados também seminários e reuniões para motivar e acompanhar as ações que estão sendo realizadas nas microrregiões abrangidas. Em agosto, por exemplo, a "Iniciativa Laços SociAids" organizou, entre os dias 4 e 6, o “Seminário Laços SociAids de Temas Transversais”, em Salvador, para discutir assuntos como uso de drogas, violência, gênero, sexualidade, políticas públicas e governança.

O evento contou com a participação de gestores municipais e técnicos das áreas de saúde e educação de Juazeiro e Vitória da Conquista, além de representantes da sociedade civil.

O 1º Congresso Baiano de DSTs, Aids e Hepatites Virais também terá a parceria da "Iniciativa Laços SociAids". Entre os temas em discussão estarão os desafios da descentralização da saúde para a prática da prevenção e da assistência; a integralidade da assistência e a consolidação de redes; a necessidade de uma revisão de processos de gestão e de organização dos serviços; e estratégias para a promoção da qualidade de vida de pessoas que vivem com HIV.

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