sábado, 21 de julho de 2012

ESPORTE


MARCOS CAETANO - O Estado de S.Paulo
A espécie humana é apaixonada por muitas coisas, mas nada parece nos encantar mais do que os extremos. Uma pessoa que não opta por um extremo é logo acusada de sofrer de falta de personalidade, de ficar em cima do muro. E assim a vida segue: ou somos radicais de esquerda ou de direita, extremamente liberais ou tremendamente conservadores, amamos uma coisa ou simplesmente a odiamos, preto ou branco, cinza jamais - muito embora eu não conheça ninguém que seja tão extremista na prática quanto no discurso. O futebol, como esporte que tão nos espelha, não poderia escapar desse extremismo. E é justamente por isso que a cada ciclo da seleção brasileira ou dos nossos clubes, a opinião pública, esse ser supremo e sem face, faz insanos movimentos pendulares. Ora exalta a importância dos jogadores veteranos, ora garante que eles devem ser totalmente descartados, com o objetivo de abrir espaço para o "sangue novo".
Ultimamente, os veteranos voltaram à moda. Com Atlético-MG, Vasco e Fluminense ocupando as três primeiras posições na classificação do Campeonato Brasileiro, já abrindo alguma folga para os demais, muita gente fez questão de apontar a presença de veteranos como a chave do sucesso dessas equipes. De fato, é inegável que Ronaldinho Gaúcho, Juninho Pernambucano e Deco têm exercido importante papel de liderança técnica e até psicológica junto aos elencos de seus clubes. Mas é um erro apostar que os três times só estão onde estão por conta de seus veteranos. Na maioria das vezes, o caminho da verdade é o do meio e, por conta disso, não é difícil perceber que a boa campanha dos líderes do Brasileiro se deve exatamente à combinação de jovens promessas, jogadores no auge da carreira e veteranos consagrados.
É possível citar times que fizeram sucesso apostando nos extremos, como a edição original e as duas reedições dos Meninos da Vila, no Santos, que apostaram nos jovens, ou o Real Madrid da década passada, que focou em jogadores consagrados. Mas essas foram exceções. E exceções imperfeitas, já que mesmo com seus times recheados de meninos o Santos sempre contou com a ajuda de alguns veteranos, da mesma forma que o estrelado Real soube revelar talentos. A regra quase geral, da seleção de 1958 à Espanha dos tempos atuais, é o equilíbrio etário. Se cada setor conseguir combinar a experiência de veteranos que conseguem ler e cadenciar o jogo, com o poder de decisão de craques que estão no auge, com a vontade das jovens promessas, o time se torna mais versátil e menos previsível, podendo fazer frente a qualquer tipo de estratégia adversária.
É desse jeito que o Brasil deveria jogar a Copa do Mundo. Sem banir veteranos que ainda são capazes de jogar em alto nível, sem apostar exclusivamente na meninada e sem abrir mão de craques consagrados. Infelizmente, os três veteranos que lideram o Brasileiro 2012 não estarão no time de 2014. Juninho já estará com 40 anos, Deco é português naturalizado e Ronaldinho Gaúcho não parece disposto a fazer o esforço necessário para voltar a jogar em altíssimo nível, o que é uma pena. Ao que tudo indica, teremos de torcer para que a meninada olímpica amadureça depressa. Bem depressa.

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