sábado, 6 de dezembro de 2008

INSTITUTO DE BIOMEDICINA
Doenças do sertão estão perto da cura
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Moradores do semi-árido brasileiro serão os principais beneficiados com as pesquisas do Instituto de Biomedicina para a cura de doenças (Foto: Gustavo Pellizzon (28/11/2005))

Médico Aldo Lima é o coordenador do Instituto de Biomedicina. De acordo com ele, a experiência de 30 anos foi fundamental para garantir os recursos do CNPq (Foto: Adriana Pimentel)
Diarréia, desnutrição e problemas gastrintestinais serão analisados por 30 pesquisadores brasileiros e do exteriorFortaleza. O cenário é de seca. Habitantes que muitas vezes passam fome e sede e sofrem as conseqüências de uma alimentação desprovida de nutrientes. O resultado não poderia ser outro: deficiência de vitaminas no organismo e complicações para a saúde. Quem mora nas cidades inseridas na área delimitada pelo semi-árido brasileiro sofre de doenças que, muitas vezes quando não tratadas a tempo, levam à morte, como é o caso da diarréia, desnutrição, câncer gástrico, úlceras, doenças neurológicas tropicais e gastrintestinais.O desafio em buscar soluções e novos tratamentos para moradores de 1.133 cidades do semi-árido é constante. No Ceará, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Biomedicina do Semi-Árido Brasileiro, coordenado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), tem a missão de encontrar novos medicamentos capazes de curar doenças simples e complexas freqüentes em populações que residem nesta área do País.No fim de novembro, o Instituto de Biomedicina foi contemplado com R$ 7 milhões, como resultado do edital do Programa Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), para realizar pesquisas em que o desenvolvimento sustentável do País, na área científica, seja a principal meta. Os recursos são provenientes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e começam a ser repassados ainda este ano por um prazo de até três anos. Os estudos serão realizados com a participação de 30 pesquisadores de diversas universidades brasileiras e de outros países, como Estados Unidos, Bélgica, Inglaterra e Austrália.Além deste, outros dois institutos no Ceará também foram contemplados com R$ 4 milhões cada: o INCT de Transferência de Materiais na Interface Continente-Oceano, que pesquisará como o uso da terra e as mudanças climáticas alteram a dinâmica de transferência de materiais — sedimentos, poluentes e matéria orgânica — do continente para o mar e quais as respostas do ambiente costeiro a essas transformações; e o INCT em Salinidade, que buscará soluções para o problema de salinização da água utilizada na irrigação do Semi-Árido nordestino.Juntos, os recursos do CNPq para os três institutos no Ceará somam R$ 15 milhões, dos R$ 600 milhões previstos para todos os 101 novos INCT´s no Brasil. No caso do Instituto de Biomedicina do Semi-Árido, o objetivo é o de estudar e desenvolver bioprodutos na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças que afetam o sistema digestivo e nervoso, consideradas de alta prevalência na população que reside na área delimitada pelo semi-árido.As doenças — diarréia, desnutrição, problemas bucais, câncer gástrico, úlceras, doenças neurológicas tropicais e gastrintestinais —, foram escolhidas, segundo o coordenador do instituto, Aldo Lima, com base na prevalência na região do semi-árido e, principalmente, o histórico destas enfermidades para as populações mais carentes. Primeiro, teve-se o exemplo dos bairros periféricos de Fortaleza e depois de municípios que integram a Região Metropolitana. Posteriormente, foram analisados os casos mais comuns nos municípios do semi-árido.O Instituto traz a novidade de que, as doenças causadas a essas populações são, geralmente, desencadeadas por outros fatores também relacionados à saúde. O que poderia ser uma enfermidade simples e curável, passa a ganhar complexidade tanto no tratamento quanto no diagnóstico, cada vez mais tardio. Com o instituto, o diagnóstico será realizado precocemente, a fim de evitar complicações futuras ao organismo. “Esse foi um trabalho inédito no grupo, associado com doenças neurológicas futuras. Isso é muito importante para a qualidade de vida da população do semi-árido”, diz o coordenador Aldo Lima. E completa: “a perspectiva para o financiamento do CNPq existiu porque temos, ao longo de 30 anos, a condição de dar um diagnóstico mesmo sem o aparecimento da doença ainda”. Apesar do reconhecimento nacional vir somente agora, o Instituto de Biomedicina já atuava nesta área há 30 anos como parte das pesquisas científicas de pós-graduação em Farmacologia da UFC, como informou o coordenador do instituto, Dr. Aldo Lima. No entanto, a entidade já ganha notoriedade pelos cinco medicamentos e patentes já criados em laboratório para curar a diarréia e também desnutrição.E, por mais que existam meios alternativos para tratar doenças diarréicas, o instituto propõe a ser eficaz no combate a essas doenças, priorizando a cura. Um exemplo é com relação aos casos de diarréia que acometem a população do semi-árido. O médico não descarta o uso de medicamentos ou tratamentos caseiros que evitam a mortalidade por causa deste enfermidade, como o soro caseiro, mas afirma que ainda não é suficiente para a promoção da cura. “O soro (caseiro) é excelente, diminui a mortalidade, mas não cura a diarréia e isso faz com que a doença continue acontecendo”, avalia. Neste caso, as pesquisas a serem desenvolvidas terão a missão de mostrar como é possível, no prazo de até três anos, resultados em que a cura das doenças seja atingida.
SAIBA MAISExcelênciaO Instituto de Biomedicina Do Semi-Árido Brasileiro pretende exercer uma função de excelência na pesquisa básica, pré-clínica e clínica de marcadores e bioprodutos, incluindo ainda os determinantes causais, genéticos e ambientais, de doenças endêmicas e de alta prevalência na região do semi-árido e do Nordeste brasileiro.PesquisaEnfermidades como diarréia infantil, desnutrição, câncer gástrico, úlcera péptica e seus impactos no desenvolvimento ponderal (peso) e cognitivo de crianças nesta população serão consideradas alvo para pesquisa no instituto.MunicípiosA região do semi-árido brasileiro compreende um total de 1.133 municípios localizados no norte do Estado de Minas Gerais e em todos os Estados da macrorregião Nordeste, exceto o Maranhão. A transferência dos resultados do presente Instituto beneficiará diretamente uma rede formada por 14 municípios, abrangendo uma população acima de 50 mil habitantes.EquipeO Instituto de Biomedicina do Semi-Árido Brasileiro está constituído por 30 pesquisadores dos quais 17 bolsistas do CNPq articulados numa rede de grupos de pesquisas em várias instituições atuantes em âmbito local, regional, nacional e internacional.

Maurício VieiraRepórter/ Diário do Nordeste

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