Reportagens
Salvador, 30/09/2010
Ação anti-HIV da ONU busca avanços na BA
'Iniciativa Laços SociAids' mobiliza esforços de vários setores e ajuda combate ao vírus nas microrregiões de Juazeiro e Vitória da Conquista
Divulgação
Leia também
ONU vai estudar relação entre Aids e leis
Bolsa Família e ação anti-HIV são exemplos
Países desiguais são mais afetados pelo HIV
do PNUD
O mês de novembro será marcado por uma grande mobilização para o fortalecimento de capacidades na resposta à epidemia da Aids na Bahia. É quando acontece o 1º Congresso Baiano de DSTs, Aids e Hepatites Virais – Integralidade da Assistência e Consolidação de Redes: dos Avanços aos Desafios. O encontro será realizado entre os dias 16 e 19, na cidade de Vitória da Conquista.
De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que 630 mil pessoas sejam portadoras do vírus HIV no Brasil. Na Bahia, com população de mais de 14 milhões de habitantes, o primeiro caso foi registrado em 1984 e, desde então, até abril de 2009, 10.452 ocorrências foram notificadas. Dessas, 6.913 pertencem ao sexo masculino e 3.539 ao feminino, totalizando uma média de 5,7 casos por 100 mil habitantes.
As Nações Unidas estarão presentes no 1º Congresso Baiano de DSTs, Aids e Hepatites Virais divulgando a parceria que desenvolvem com o governo federal, o governo da Bahia e também com os municípios das microrregiões de Juazeiro e Vitória da Conquista – a chamada "Iniciativa Laços SociAids", que visa a apoiar e a fortalecer uma resposta multissetorial e ampliada à epidemia de Aids na Bahia.
As microrregiões de Juazeiro e Vitória da Conquista contemplam 28 municípios e, aproximadamente, um milhão de habitantes.
As atividades da "Iniciativa Laços SociAids" incluem três eixos prioritários: prevenção à transmissão vertical do HIV e da sífilis, promoção da saúde nas escolas e enfrentamento à feminização da epidemia da Aids e outras DSTs.
Dentro dessas atividades, o PNUD contribuirá, em abril de 2011, com iniciativas na área de promoção da governança, para que os esforços setoriais e governamentais sejam conjugados no combate à epidemia.
A iniciativa visa a atender ao desejo de apoiar grupos de risco onde historicamente a resposta à doença ainda representa um desafio, tais como jovens de 13 a 24 anos, presidiários e mulheres, entre outros.
Entre esses grupos, observa-se um crescimento nos casos de infecção por mulheres na faixa de 13 a 19 anos, de acordo com o 2º Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde.
Também percebe-se uma tendência de crescimento dessa faixa, segundo relatório do UNAIDS, apesar de, na população em geral, a incidência ser de 15 homens para cada 10 mulheres, o que reforça também a importância de se trabalhar saúde e educação nas escolas.
"O próprio governo federal já identificou a importância de se integrar saúde e educação no combate à epidemia. Nesse ponto, o PNUD tem uma participação essencial, que é a de apoiar na identificação e elaboração de planos conjuntos de ação na resposta à epidemia de forma a efetivá-los por meio dos princípios de governança", explica Joaquim Fernandes, oficial da agência da ONU.
"Isso garante que a temática seja abordada de forma transversal, atingindo todas as esferas envolvidas", acrescenta.
Reuniões de acompanhamento
A partir desses temas e atividades são gerados também seminários e reuniões para motivar e acompanhar as ações que estão sendo realizadas nas microrregiões abrangidas. Em agosto, por exemplo, a "Iniciativa Laços SociAids" organizou, entre os dias 4 e 6, o “Seminário Laços SociAids de Temas Transversais”, em Salvador, para discutir assuntos como uso de drogas, violência, gênero, sexualidade, políticas públicas e governança.
O evento contou com a participação de gestores municipais e técnicos das áreas de saúde e educação de Juazeiro e Vitória da Conquista, além de representantes da sociedade civil.
O 1º Congresso Baiano de DSTs, Aids e Hepatites Virais também terá a parceria da "Iniciativa Laços SociAids". Entre os temas em discussão estarão os desafios da descentralização da saúde para a prática da prevenção e da assistência; a integralidade da assistência e a consolidação de redes; a necessidade de uma revisão de processos de gestão e de organização dos serviços; e estratégias para a promoção da qualidade de vida de pessoas que vivem com HIV.
Blog da Associação dos Servidores da SOHIDRA - ASSO, destinado à troca de informações com nossos colegas, colaboradores e população em geral.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Paquistão receberá 5 mil casas antidesastre
Paquistão receberá 5 mil casas antidesastre
Moradias serão construídas pelo PNUD na região de Sindh (sul), onde mais de 800 mil pessoas ficaram desabrigadas por causa de cheias
PNUD / Divulgação
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Ação local alivia enchentes no Paquistão
da PrimaPagina
Como parte dos esforços para a recuperação do Paquistão, que desde julho registra enchentes sem precedentes em várias partes de seu território, o PNUD vai construir cinco mil casas à prova de desastres em torno da área costeira na província de Sindh (sul).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 20 milhões de pessoas foram afetadas pelas inundações, e mais de 12,4 milhões ainda precisam de assistência humanitária urgente.
A província de Sindh, escolhida para receber as moradias, tem mais de 800 mil pessoas desabrigadas em decorrência das chuvas, com 86% delas vivendo abaixo da linha da pobreza.
“As inundações trouxeram muita dor e insegurança para as pessoas, e devemos ajudá-las a voltar a ter uma vida normal”, diz Abdul Qadir, especialista em meio ambiente do PNUD no Paquistão.
As casas serão construídas em alvenaria especial, utilizando blocos reforçados com arame, apropriados contra terremotos e ventos fortes, e o telhado terá formado de pirâmide, para permitir um melhor escoamento de água.
O modelo já foi utilizado na cidade portuária de Karachi e resistiu à pressão das recentes inundações, ao ciclone Phet, em junho, e a um terremoto de 4,5 graus na escala Richter.
Cada habitação terá um quarto, uma cozinha, um banheiro e área para animais. Custará, em média, US$ 2 mil, e todos os materiais serão fabricados localmente, proporcionando empregos e oportunidades de geração de renda para as comunidades.
O PNUD entregará os títulos de propriedade principalmente a mulheres, que foram as mais afetadas pelas enchentes e que agora se encontram em situação econômica bastante vulnerável.
“Um dos primeiros passos para reconstruir a vida das pessoas é ajudá-las a ter um teto sobre suas cabeças”, conclui Qadir.
As ajudas de emergência continuarão sendo uma prioridade em todas as províncias afetadas pelas cheias, porém, esforços de alívios e rápida recuperação visando ao retorno das vítimas às suas casas, em áreas onde as águas baixaram, também serão efetuados em paralelo.
Ainda não há números oficiais sobre pessoas que ainda não poderão voltar as suas casas mesmo após o escoamento completo das águas.
Moradias serão construídas pelo PNUD na região de Sindh (sul), onde mais de 800 mil pessoas ficaram desabrigadas por causa de cheias
PNUD / Divulgação
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da PrimaPagina
Como parte dos esforços para a recuperação do Paquistão, que desde julho registra enchentes sem precedentes em várias partes de seu território, o PNUD vai construir cinco mil casas à prova de desastres em torno da área costeira na província de Sindh (sul).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 20 milhões de pessoas foram afetadas pelas inundações, e mais de 12,4 milhões ainda precisam de assistência humanitária urgente.
A província de Sindh, escolhida para receber as moradias, tem mais de 800 mil pessoas desabrigadas em decorrência das chuvas, com 86% delas vivendo abaixo da linha da pobreza.
“As inundações trouxeram muita dor e insegurança para as pessoas, e devemos ajudá-las a voltar a ter uma vida normal”, diz Abdul Qadir, especialista em meio ambiente do PNUD no Paquistão.
As casas serão construídas em alvenaria especial, utilizando blocos reforçados com arame, apropriados contra terremotos e ventos fortes, e o telhado terá formado de pirâmide, para permitir um melhor escoamento de água.
O modelo já foi utilizado na cidade portuária de Karachi e resistiu à pressão das recentes inundações, ao ciclone Phet, em junho, e a um terremoto de 4,5 graus na escala Richter.
Cada habitação terá um quarto, uma cozinha, um banheiro e área para animais. Custará, em média, US$ 2 mil, e todos os materiais serão fabricados localmente, proporcionando empregos e oportunidades de geração de renda para as comunidades.
O PNUD entregará os títulos de propriedade principalmente a mulheres, que foram as mais afetadas pelas enchentes e que agora se encontram em situação econômica bastante vulnerável.
“Um dos primeiros passos para reconstruir a vida das pessoas é ajudá-las a ter um teto sobre suas cabeças”, conclui Qadir.
As ajudas de emergência continuarão sendo uma prioridade em todas as províncias afetadas pelas cheias, porém, esforços de alívios e rápida recuperação visando ao retorno das vítimas às suas casas, em áreas onde as águas baixaram, também serão efetuados em paralelo.
Ainda não há números oficiais sobre pessoas que ainda não poderão voltar as suas casas mesmo após o escoamento completo das águas.
Formadores de opinião erraram feio
Formadores de opinião erraram feio
Por Alberto Dines em 5/10/2010
Um dos únicos debates temáticos travados no primeiro round das eleições deste ano centrou-se numa questão subjetiva, manifestada em expressões vagas, difusas e um tanto obsoletas como "opinião pública" e "formadores de opinião".
Não foram os candidatos que trouxeram o tema à mesa de discussões, ele foi provocado, espicaçado e mantido na agenda pelo grande orquestrador e animador-mor da política brasileira: Luiz Inácio Lula da Silva.
Opinião pública é hoje uma figura retórica, assim como comunidade e sociedade (embora no passado, sobretudo quando empregadas em alemão, Gemeinschaft e Gesellschaft, tivessem aparência mais científica). As noções de nação ou povo também poderiam ser utilizadas, mas opinião pública soa melhor e encaminha a discussão para o fascinante tópico do Quarto Poder, a imprensa, que o presidente levou aos palanques à revelia dos candidatos.
Outras ferramentas
Quando se fala em opinião pública é inevitável lembrar os formadores de opinião. E ao optar pelo enfrentamento com os formadores de opinião, tal como D. Quixote o presidente Lula investiu contra moinhos de vento. Todos são formadores de opinião: os propriamente ditos e os por eles formados. Inclusive o próprio exterminador dos formadores de opinião – o presidente.
Os formadores de opinião tropeçaram no primeiro turno. Em sua esmagadora maioria afiançaram que a candidata Dilma Rousseff ganharia na primeira rodada de votação. Não que fossem lulistas ou petistas – os opinionistas regulares da imprensa, rádio, TV e internet estavam fixados, imantados nos resultados das sondagens de opinião.
Obsessão antiga, há mais de uma década este observador a designava como pesquisite (quando o caso era mais grave) ou pesquisismo, quando se tratava de distorção sazonal. A cobertura dos fatos eleitorais e a análise dos seus efeitos comportam o emprego de outras ferramentas além do acompanhamento das enquetes dos institutos especializados. São importantes, não podem ser descuradas, mas não devem polarizar as atenções como tem acontecido.
Margem de erro e autoengano
Como resultado desta fixação, Dilma era a ganhadora já no primeiro turno. Ninguém – ou quase ninguém – prestou atenção ao fenômeno por enquanto o mais importante destas eleições: Marina Silva. Mantida na faixa de um dígito, às vezes oscilando para dois e sempre disfarçados pelas tais "margens de erro", a candidata verde ficou colocada no nicho dos utopistas monotemáticos, tal como acontecera em 2006 com Cristóvam Buarque e o seu justificado culto à Educação.
Quando Marina Silva era senadora, ou quando foi ministra, a mídia não conseguiu enxergar naquela figura frágil, discreta, elegante e articulada a vitalidade e a determinação que mudariam o curso desta eleição. E agora, ao longo do pleito, os formadores de opinião foram iludidos pelas "margens de erro" que, somadas, deram uma memorável surra nos abalizados previsores, profetas e adivinhadores. Não fizeram as contas ou fizeram as contas erradas.
Marina Silva perdeu ganhando (para usar o seu próprio jogo verbal), ela é o fato novo da política brasileira, quem quer que vença o segundo turno. O bloco dos "formadores de opinião" terá que encarar que os verdes – como acontece na Europa – deixaram de ser os bichos-grilo, estão geralmente na vanguarda da política, da economia, da ciência e da cultura.
Como a imprensa nativa se deixou levar pelas aparências aritméticas, a internacional foi atrás. Os correspondentes estrangeiros aqui sediados ou de passagem não tiveram a coragem de alertar os porteiros das respectivas redações que uma surpresa estava sendo gestada. Os formadores de opinião d’além-mar capitularam diante dos seus leitores que, atormentados pelos fantasmas da recessão mundial, agarram-se à esperança de assistir no Novo Mundo à sagração do "país do futuro" liderado por um ex-metalúrgico. Não perceberam que este mesmo país do futuro pode ser uma caixinha de surpresas – como dizem os futebolistas – em matéria de valores e princípios.
A edição de segunda-feira (4/10) do El País – seguramente o jornal estrangeiro com maior circulação doméstica – é exemplo da miopia internacional: Dilma Rousseff na capa em grande estilo, páginas dois e três com imensas fotos de Lula e Dilma, títulos e destaques em tom hagiográfico, nenhuma menção ao candidato tucano e apenas o subtítulo sobre Marina como "factor decisivo" [sic]. OK, o fuso horário era desfavorável (matéria fechada com apenas 40% dos votos apurados), mas na edição anterior, domingo, a tônica do "já ganhou" era idêntica.
Aberrações e distorções
Nossos formadores de opinião têm problemas com as togas: gostam de se imaginar juristas e, quando não conseguem, deixam-se fascinar pelas firulas e malabarismos jurídicos de alguns magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma pressão firme e decidida da mídia para forçar a Suprema Corte a decidir o destino dos fichas-sujas antes de 3 de outubro teria evitado este constrangedor pleito sub judice, com milhões de eleitores sem saber o destino dos seus votos e as lideranças políticas às cegas sem saber como se comportar diante da possibilidade de ver impugnadas tantas candidaturas.
Nossa mídia ainda não consegue encarar o STF com naturalidade. Evidentemente conhece as manhas do alto corporativismo, pressente que um dia precisará de pareceres e votos que podem ser decisivos para os seus interesses, e trata esta corte com uma complacência que não adota no trato do Executivo ou do Legislativo. Se o chamado Quarto Poder se considera tutor/avalista/fiscal dos demais, não deveria abdicar de firmeza nas eventuais cobranças das altas esferas judiciárias.
O STF – e/ou seu presidente – foi omisso, não respondeu como devia ao magnífico movimento cívico que resultou na aprovação da Lei da Ficha Limpa. Os meritíssimos não olharam o calendário nem atentaram para o empate que se prenunciava. Deixaram rolar.
Neste episódio os formadores de opinião passaram à opinião pública – ou que nome tenha – uma mensagem leniente. Também se abstiveram de examinar com rigor o que está acontecendo na esfera digital (chamada de blogosfera antes do surgimento das redes sociais). Como os jornais e revistas convenceram-se de que vão desaparecer no formato impresso nas próximas décadas, começaram a investir nas versões digitais e não lhes interessa radiografar com a necessária severidade o bas fond cibernético que tanto louvam e agora freqüentam. Acham que é assim mesmo: no passado os pasquins manuscritos faziam o diabo com suas vítimas, agora a vileza é tuitada em 140 caracteres.
Não caberia aos impressos deter-se para examinar as aberrações e distorções de um processo que poderá arrastá-los inevitavelmente para o esgoto?
Até agora não sabemos o que aconteceu neste primeiro round eleitoral nos subterrâneos digitais. É assunto, não pode ser descartado. Ou, porventura, os formadores de opinião dos veículos impressos estão com medo de enfrentar seus rivais "conectados"?
O processo sucessório termina em 31 de outubro, mas Dona Opinião Pública não merece ser abandonada. Mesmo que adote outro nome. Que tal cidadania?
***
Em tempo [incluído às 17h42 de 5/10]: A capa da edição corrente da revista inglesa The Economist traz uma foto do presidente Lula, em comício, erguendo o braço de uma sorridente Dilma Rousseff sob a concisa manchete "Brazil’s handover" — o que, em tradução livre, pode ser entendido como se o presidente estivesse "passando o bastão" para a candidata oficial. Como anotou Ancelmo Gois em sua coluna de O Globo (5/10, pág. 28), "faltou [a revista] combinar com os eleitores que votaram no domingo".
Por Alberto Dines em 5/10/2010
Um dos únicos debates temáticos travados no primeiro round das eleições deste ano centrou-se numa questão subjetiva, manifestada em expressões vagas, difusas e um tanto obsoletas como "opinião pública" e "formadores de opinião".
Não foram os candidatos que trouxeram o tema à mesa de discussões, ele foi provocado, espicaçado e mantido na agenda pelo grande orquestrador e animador-mor da política brasileira: Luiz Inácio Lula da Silva.
Opinião pública é hoje uma figura retórica, assim como comunidade e sociedade (embora no passado, sobretudo quando empregadas em alemão, Gemeinschaft e Gesellschaft, tivessem aparência mais científica). As noções de nação ou povo também poderiam ser utilizadas, mas opinião pública soa melhor e encaminha a discussão para o fascinante tópico do Quarto Poder, a imprensa, que o presidente levou aos palanques à revelia dos candidatos.
Outras ferramentas
Quando se fala em opinião pública é inevitável lembrar os formadores de opinião. E ao optar pelo enfrentamento com os formadores de opinião, tal como D. Quixote o presidente Lula investiu contra moinhos de vento. Todos são formadores de opinião: os propriamente ditos e os por eles formados. Inclusive o próprio exterminador dos formadores de opinião – o presidente.
Os formadores de opinião tropeçaram no primeiro turno. Em sua esmagadora maioria afiançaram que a candidata Dilma Rousseff ganharia na primeira rodada de votação. Não que fossem lulistas ou petistas – os opinionistas regulares da imprensa, rádio, TV e internet estavam fixados, imantados nos resultados das sondagens de opinião.
Obsessão antiga, há mais de uma década este observador a designava como pesquisite (quando o caso era mais grave) ou pesquisismo, quando se tratava de distorção sazonal. A cobertura dos fatos eleitorais e a análise dos seus efeitos comportam o emprego de outras ferramentas além do acompanhamento das enquetes dos institutos especializados. São importantes, não podem ser descuradas, mas não devem polarizar as atenções como tem acontecido.
Margem de erro e autoengano
Como resultado desta fixação, Dilma era a ganhadora já no primeiro turno. Ninguém – ou quase ninguém – prestou atenção ao fenômeno por enquanto o mais importante destas eleições: Marina Silva. Mantida na faixa de um dígito, às vezes oscilando para dois e sempre disfarçados pelas tais "margens de erro", a candidata verde ficou colocada no nicho dos utopistas monotemáticos, tal como acontecera em 2006 com Cristóvam Buarque e o seu justificado culto à Educação.
Quando Marina Silva era senadora, ou quando foi ministra, a mídia não conseguiu enxergar naquela figura frágil, discreta, elegante e articulada a vitalidade e a determinação que mudariam o curso desta eleição. E agora, ao longo do pleito, os formadores de opinião foram iludidos pelas "margens de erro" que, somadas, deram uma memorável surra nos abalizados previsores, profetas e adivinhadores. Não fizeram as contas ou fizeram as contas erradas.
Marina Silva perdeu ganhando (para usar o seu próprio jogo verbal), ela é o fato novo da política brasileira, quem quer que vença o segundo turno. O bloco dos "formadores de opinião" terá que encarar que os verdes – como acontece na Europa – deixaram de ser os bichos-grilo, estão geralmente na vanguarda da política, da economia, da ciência e da cultura.
Como a imprensa nativa se deixou levar pelas aparências aritméticas, a internacional foi atrás. Os correspondentes estrangeiros aqui sediados ou de passagem não tiveram a coragem de alertar os porteiros das respectivas redações que uma surpresa estava sendo gestada. Os formadores de opinião d’além-mar capitularam diante dos seus leitores que, atormentados pelos fantasmas da recessão mundial, agarram-se à esperança de assistir no Novo Mundo à sagração do "país do futuro" liderado por um ex-metalúrgico. Não perceberam que este mesmo país do futuro pode ser uma caixinha de surpresas – como dizem os futebolistas – em matéria de valores e princípios.
A edição de segunda-feira (4/10) do El País – seguramente o jornal estrangeiro com maior circulação doméstica – é exemplo da miopia internacional: Dilma Rousseff na capa em grande estilo, páginas dois e três com imensas fotos de Lula e Dilma, títulos e destaques em tom hagiográfico, nenhuma menção ao candidato tucano e apenas o subtítulo sobre Marina como "factor decisivo" [sic]. OK, o fuso horário era desfavorável (matéria fechada com apenas 40% dos votos apurados), mas na edição anterior, domingo, a tônica do "já ganhou" era idêntica.
Aberrações e distorções
Nossos formadores de opinião têm problemas com as togas: gostam de se imaginar juristas e, quando não conseguem, deixam-se fascinar pelas firulas e malabarismos jurídicos de alguns magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma pressão firme e decidida da mídia para forçar a Suprema Corte a decidir o destino dos fichas-sujas antes de 3 de outubro teria evitado este constrangedor pleito sub judice, com milhões de eleitores sem saber o destino dos seus votos e as lideranças políticas às cegas sem saber como se comportar diante da possibilidade de ver impugnadas tantas candidaturas.
Nossa mídia ainda não consegue encarar o STF com naturalidade. Evidentemente conhece as manhas do alto corporativismo, pressente que um dia precisará de pareceres e votos que podem ser decisivos para os seus interesses, e trata esta corte com uma complacência que não adota no trato do Executivo ou do Legislativo. Se o chamado Quarto Poder se considera tutor/avalista/fiscal dos demais, não deveria abdicar de firmeza nas eventuais cobranças das altas esferas judiciárias.
O STF – e/ou seu presidente – foi omisso, não respondeu como devia ao magnífico movimento cívico que resultou na aprovação da Lei da Ficha Limpa. Os meritíssimos não olharam o calendário nem atentaram para o empate que se prenunciava. Deixaram rolar.
Neste episódio os formadores de opinião passaram à opinião pública – ou que nome tenha – uma mensagem leniente. Também se abstiveram de examinar com rigor o que está acontecendo na esfera digital (chamada de blogosfera antes do surgimento das redes sociais). Como os jornais e revistas convenceram-se de que vão desaparecer no formato impresso nas próximas décadas, começaram a investir nas versões digitais e não lhes interessa radiografar com a necessária severidade o bas fond cibernético que tanto louvam e agora freqüentam. Acham que é assim mesmo: no passado os pasquins manuscritos faziam o diabo com suas vítimas, agora a vileza é tuitada em 140 caracteres.
Não caberia aos impressos deter-se para examinar as aberrações e distorções de um processo que poderá arrastá-los inevitavelmente para o esgoto?
Até agora não sabemos o que aconteceu neste primeiro round eleitoral nos subterrâneos digitais. É assunto, não pode ser descartado. Ou, porventura, os formadores de opinião dos veículos impressos estão com medo de enfrentar seus rivais "conectados"?
O processo sucessório termina em 31 de outubro, mas Dona Opinião Pública não merece ser abandonada. Mesmo que adote outro nome. Que tal cidadania?
***
Em tempo [incluído às 17h42 de 5/10]: A capa da edição corrente da revista inglesa The Economist traz uma foto do presidente Lula, em comício, erguendo o braço de uma sorridente Dilma Rousseff sob a concisa manchete "Brazil’s handover" — o que, em tradução livre, pode ser entendido como se o presidente estivesse "passando o bastão" para a candidata oficial. Como anotou Ancelmo Gois em sua coluna de O Globo (5/10, pág. 28), "faltou [a revista] combinar com os eleitores que votaram no domingo".
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Observatório da Imprensa
Quando Tiririca é legião
ELEIÇÕES 2010
Quando Tiririca é legião
Por Muniz Sodré em 5/10/2010
O "caso Tiririca", fartamente discutido na mídia e em rodas de opinião, merece alguma reflexão, não apenas quanto à bizarrice dos comportamentos eleitorais, mas também sobre como raciocinam as elites, repercutidas em última análise pelo senso comum e pela imprensa.
Para começar, um comentário que nos aconteceu fazer em resposta à demanda de um repórter (O Globo, 26/9). É de hábito, nesse tipo de abordagem telefônica, que o entrevistado fale muito, na expectativa de uma plena explicação impressa do que disse. O publicado foi apenas uma pílula explicativa, mas fiel em sua curteza: aventamos a hipótese de um ativo lado estético nessa manifestação de preferência política chamada voto.
A rigor, o fenômeno estético começa desde as táticas propagandísticas dos candidatos a postos eletivos, na medida em que legitimam o seu pleito por marketing ou por interpelações afetivas. Nos dois casos se aciona o emprego racionalista do afeto por meio da retórica, isto é, pela arte da expressão e da persuasão empregada como técnica política, graças a seus efeitos de instrumentalização e controle dos discursos. A retórica serve para convencer, no sentido racionalista do termo, e para agradar ou adular, o que dá a medida de seu escopo afetivo ou irracional. Em linhas gerais, serve para comunicar ideias e emoções, produzindo sensações.
Baixaria e trivialidade
A retórica e, portanto, a estética, sempre esteve presente no âmago do fenômeno político, embora em graus diversos de intensidade. Não raro, a distância temporal permite-nos ver que usuários da retórica política no passado, tidos como sujeitos de "extraordinários" dotes oratórios, parecem-nos hoje simplesmente grotescos. Hitler, por exemplo: nada de realmente excepcional em seus discursos, hoje analisados em filmes e gravações, exceto o fato de que o orador constituía uma espécie de "canal sinergético" para as massas alemãs ávidas por um líder que as resgatasse das históricas humilhações militares e econômicas. Ao modo de um pregador religioso fanático, o führer dizia o que a multidão queria escutar.
Ou então, ao modo (soft) da mídia. É justamente um filósofo alemão, Peter Sloterdijk, quem enxerga na identificação do público alemão com o führer algo semelhante à da audiência com a sua mídia, a tal ponto que um termo entra em curto-circuito com o outro, bloqueando quaisquer funções críticas. Diz ele: "O segredo do führer de antes e dos astros de hoje consiste no fato de que são semelhantes a seus mais apáticos admiradores. (...) Ele possuía, quando desejava, a ordem imperativa da baixaria. Não entrou em campo em função de algo extraordinário, e sim, por sua inequívoca grossura e pela manifestação de sua trivialidade."
É óbvio que a conjuntura histórica da Alemanha hitlerista não tem nada a ver com o funcionamento das tecno-democracias de hoje, seja na Europa ou nas Américas, mesmo nos casos de conhecidas tentações caudilhescas. Mas a baixaria e a trivialidade continuam exercendo papéis centrais na semiose (processo geral de comunicação) midiática, assim como em outros processos de multidão acionados pela retórica, como acontece em campanhas eleitorais.
O desvio da normalização político-eleitoral
Faz-se cada vez mais presente o grotesco, entendido como categoria estética que dá conta do riso nos fenômenos de fronteira entre o que consensualmente se define como o "normalizado" e o desregramento civilizatório, ou então entre o humano e inumano. Ao repórter do Globo, referimo-nos à oposição entre a estética "da cintura para cima" – que caracteriza os comportamentos normalizados e potencialmente sublimes – e a estética "da cintura para baixo", relativa ao humus da terra, portanto, ao humilde, ao popularesco ou ao que se presta ao fácil entendimento.
A principal figura de retórica pertinente a essa estética é o bathos, que implica o rebaixamento de uma estrutura qualquer com vistas à sua maior comunicabilidade. Não se trata de um preconceito culturalista, como se a "alta cultura" estivesse olhando de cima para baixo a cultura popular. O rebaixamento é a figura retórica da facilitação. Cujo exagero constituiu um recurso importante na formação do público de massa da televisão brasileira e continua a funcionar, aqui e no exterior, como fator de aglutinação de audiências. Um público enorme é inequivocamente parceiro desse bathos de duvidosas intenções.
Mas há uma grande dose de hipocrisia no interesse da mídia e de grandes frações de público pela figura do candidato Tiririca. Em princípio, o riso contrafeito resultaria dos tiques grotescos do personagem detectáveis em atitudes e frases (do tipo "Tiririca, pior do que está não fica"). O riso dos "cultos" seria uma espécie de auto-vacina contra o presumido desvio da normalização político-eleitoral.
O riso do grotesco
O grotesco é quase sempre, porém, um "arranhão" na crosta dos protocolos sociais, é uma visão incômoda do abismo das aparências superficiais. De fato, pode ser muito incômodo tomar consciência de que, em zonas de sombra do que vimos chamando de "espaço público", o máximo de "democracia" pode ser aquilatado pelo mínimo de qualificação humana, como tem demonstrado o Big Brother Brasil: o indivíduo sem nenhuma qualidade social é a estrela do show, é como se a palavra boçalidade precisasse de três "bês" (BBB) para ser grafada.
Não raro, a poesia expõe esse tipo de incômodo melhor do que a prosa de argumentos, a exemplo do excelente poeta mineiro Ricardo Aleixo, que indaga: "O que faz de um humano, humano? (...) Os sonhos dos políticos são da mesma matéria de que são feitos os sonhos dos humanos?"
Por isso se observa uma difusa tensão, nada engraçada, decorrente da suspeita, não claramente enunciada, de que se possam contar às centenas os casos tipificados como "grotescos" no panorama eleitoral. Age-se como se Tiririca fosse único, como se fosse um grande "outro". No entanto, à frente (na televisão), nos lados (nos cartazes de rua), no corpo-a-corpo de candidatos, o grotesco espreita, apenas travestido de uma retórica escolarizada, com sujeito, verbo e predicado – equivalentes gramaticais do paletó e gravata.
Aqui, com todo o rigor desse traje, o cara-de-pau ainda embaraçado nas malhas da Justiça anuncia-se como "ficha limpa"; ali, o candidato a deputado expõe o seu programa: "Nós é jeca, mas é jóia"; acolá, a candidata ao governo se atrapalha: "Temos que defender essa corrupção".
O riso do grotesco é sempre nervoso. O risco é nos darmos conta, como agora, de que Tiririca é legião.
Quando Tiririca é legião
Por Muniz Sodré em 5/10/2010
O "caso Tiririca", fartamente discutido na mídia e em rodas de opinião, merece alguma reflexão, não apenas quanto à bizarrice dos comportamentos eleitorais, mas também sobre como raciocinam as elites, repercutidas em última análise pelo senso comum e pela imprensa.
Para começar, um comentário que nos aconteceu fazer em resposta à demanda de um repórter (O Globo, 26/9). É de hábito, nesse tipo de abordagem telefônica, que o entrevistado fale muito, na expectativa de uma plena explicação impressa do que disse. O publicado foi apenas uma pílula explicativa, mas fiel em sua curteza: aventamos a hipótese de um ativo lado estético nessa manifestação de preferência política chamada voto.
A rigor, o fenômeno estético começa desde as táticas propagandísticas dos candidatos a postos eletivos, na medida em que legitimam o seu pleito por marketing ou por interpelações afetivas. Nos dois casos se aciona o emprego racionalista do afeto por meio da retórica, isto é, pela arte da expressão e da persuasão empregada como técnica política, graças a seus efeitos de instrumentalização e controle dos discursos. A retórica serve para convencer, no sentido racionalista do termo, e para agradar ou adular, o que dá a medida de seu escopo afetivo ou irracional. Em linhas gerais, serve para comunicar ideias e emoções, produzindo sensações.
Baixaria e trivialidade
A retórica e, portanto, a estética, sempre esteve presente no âmago do fenômeno político, embora em graus diversos de intensidade. Não raro, a distância temporal permite-nos ver que usuários da retórica política no passado, tidos como sujeitos de "extraordinários" dotes oratórios, parecem-nos hoje simplesmente grotescos. Hitler, por exemplo: nada de realmente excepcional em seus discursos, hoje analisados em filmes e gravações, exceto o fato de que o orador constituía uma espécie de "canal sinergético" para as massas alemãs ávidas por um líder que as resgatasse das históricas humilhações militares e econômicas. Ao modo de um pregador religioso fanático, o führer dizia o que a multidão queria escutar.
Ou então, ao modo (soft) da mídia. É justamente um filósofo alemão, Peter Sloterdijk, quem enxerga na identificação do público alemão com o führer algo semelhante à da audiência com a sua mídia, a tal ponto que um termo entra em curto-circuito com o outro, bloqueando quaisquer funções críticas. Diz ele: "O segredo do führer de antes e dos astros de hoje consiste no fato de que são semelhantes a seus mais apáticos admiradores. (...) Ele possuía, quando desejava, a ordem imperativa da baixaria. Não entrou em campo em função de algo extraordinário, e sim, por sua inequívoca grossura e pela manifestação de sua trivialidade."
É óbvio que a conjuntura histórica da Alemanha hitlerista não tem nada a ver com o funcionamento das tecno-democracias de hoje, seja na Europa ou nas Américas, mesmo nos casos de conhecidas tentações caudilhescas. Mas a baixaria e a trivialidade continuam exercendo papéis centrais na semiose (processo geral de comunicação) midiática, assim como em outros processos de multidão acionados pela retórica, como acontece em campanhas eleitorais.
O desvio da normalização político-eleitoral
Faz-se cada vez mais presente o grotesco, entendido como categoria estética que dá conta do riso nos fenômenos de fronteira entre o que consensualmente se define como o "normalizado" e o desregramento civilizatório, ou então entre o humano e inumano. Ao repórter do Globo, referimo-nos à oposição entre a estética "da cintura para cima" – que caracteriza os comportamentos normalizados e potencialmente sublimes – e a estética "da cintura para baixo", relativa ao humus da terra, portanto, ao humilde, ao popularesco ou ao que se presta ao fácil entendimento.
A principal figura de retórica pertinente a essa estética é o bathos, que implica o rebaixamento de uma estrutura qualquer com vistas à sua maior comunicabilidade. Não se trata de um preconceito culturalista, como se a "alta cultura" estivesse olhando de cima para baixo a cultura popular. O rebaixamento é a figura retórica da facilitação. Cujo exagero constituiu um recurso importante na formação do público de massa da televisão brasileira e continua a funcionar, aqui e no exterior, como fator de aglutinação de audiências. Um público enorme é inequivocamente parceiro desse bathos de duvidosas intenções.
Mas há uma grande dose de hipocrisia no interesse da mídia e de grandes frações de público pela figura do candidato Tiririca. Em princípio, o riso contrafeito resultaria dos tiques grotescos do personagem detectáveis em atitudes e frases (do tipo "Tiririca, pior do que está não fica"). O riso dos "cultos" seria uma espécie de auto-vacina contra o presumido desvio da normalização político-eleitoral.
O riso do grotesco
O grotesco é quase sempre, porém, um "arranhão" na crosta dos protocolos sociais, é uma visão incômoda do abismo das aparências superficiais. De fato, pode ser muito incômodo tomar consciência de que, em zonas de sombra do que vimos chamando de "espaço público", o máximo de "democracia" pode ser aquilatado pelo mínimo de qualificação humana, como tem demonstrado o Big Brother Brasil: o indivíduo sem nenhuma qualidade social é a estrela do show, é como se a palavra boçalidade precisasse de três "bês" (BBB) para ser grafada.
Não raro, a poesia expõe esse tipo de incômodo melhor do que a prosa de argumentos, a exemplo do excelente poeta mineiro Ricardo Aleixo, que indaga: "O que faz de um humano, humano? (...) Os sonhos dos políticos são da mesma matéria de que são feitos os sonhos dos humanos?"
Por isso se observa uma difusa tensão, nada engraçada, decorrente da suspeita, não claramente enunciada, de que se possam contar às centenas os casos tipificados como "grotescos" no panorama eleitoral. Age-se como se Tiririca fosse único, como se fosse um grande "outro". No entanto, à frente (na televisão), nos lados (nos cartazes de rua), no corpo-a-corpo de candidatos, o grotesco espreita, apenas travestido de uma retórica escolarizada, com sujeito, verbo e predicado – equivalentes gramaticais do paletó e gravata.
Aqui, com todo o rigor desse traje, o cara-de-pau ainda embaraçado nas malhas da Justiça anuncia-se como "ficha limpa"; ali, o candidato a deputado expõe o seu programa: "Nós é jeca, mas é jóia"; acolá, a candidata ao governo se atrapalha: "Temos que defender essa corrupção".
O riso do grotesco é sempre nervoso. O risco é nos darmos conta, como agora, de que Tiririca é legião.
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Observatório da Imprensa
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Mais de 400 crianças morrem envenenadas por chumbo na Nigéria
Mais de 400 crianças morrem envenenadas por chumbo na Nigéria
1 hora, 45 minutos atrás
KANO, Nigéria (AFP) - Mais de 400 crianças menores de cinco anos morreram por envenenamento causado por chumbo nos últimos seis meses no norte da Nigéria, declarou nesta terça-feira à AFP El Shafii Muhammad Ahmad, coordenador dos Médicos Sem Fronteiras (MSF).
"Segundo as cifras sobre as mortes por envenenamento por chumbo, mais de 400 crianças morreram nos últimos seis meses, no estado de Zamfara", declarou Ahmad, coordenador de MSF em uma cidades dessa região.
"Achamos que a cifra pode ser muito mais elevada", acrescentou, ao enfatizar que muitos casos de envenenamento não foram denunciados.
Esse envenenamento em massa, revelado há alguns meses, aconteceu porque garimpeiro voltaram de uma mina de ouro com blocos de rocha que estavam contaminados sem que soubessem.
A terra das rochas fez as águas ficarem contaminadas e também inúmeros habitantes inalaram partículas de poeira.
Em setembro passado, num primeiro relatório, a ONU indicou que 18.000 pessoas podem ter sido afetadas.
Segundo o MSF e a ONU, os aldeões temem que, por causa dessa catástrofe, a busca pelo ouro artesanal, que dá maiores rendimentos que a agricultura, seja proibida.
"Um grama de ouro é vendido a 3.500 nairas (26 dólares), enquanto que 50 kg de milho valem 6.000 nairas", explicou um dos habitantes de uma aldeia contaminada à AFP.
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1 hora, 45 minutos atrás
KANO, Nigéria (AFP) - Mais de 400 crianças menores de cinco anos morreram por envenenamento causado por chumbo nos últimos seis meses no norte da Nigéria, declarou nesta terça-feira à AFP El Shafii Muhammad Ahmad, coordenador dos Médicos Sem Fronteiras (MSF).
"Segundo as cifras sobre as mortes por envenenamento por chumbo, mais de 400 crianças morreram nos últimos seis meses, no estado de Zamfara", declarou Ahmad, coordenador de MSF em uma cidades dessa região.
"Achamos que a cifra pode ser muito mais elevada", acrescentou, ao enfatizar que muitos casos de envenenamento não foram denunciados.
Esse envenenamento em massa, revelado há alguns meses, aconteceu porque garimpeiro voltaram de uma mina de ouro com blocos de rocha que estavam contaminados sem que soubessem.
A terra das rochas fez as águas ficarem contaminadas e também inúmeros habitantes inalaram partículas de poeira.
Em setembro passado, num primeiro relatório, a ONU indicou que 18.000 pessoas podem ter sido afetadas.
Segundo o MSF e a ONU, os aldeões temem que, por causa dessa catástrofe, a busca pelo ouro artesanal, que dá maiores rendimentos que a agricultura, seja proibida.
"Um grama de ouro é vendido a 3.500 nairas (26 dólares), enquanto que 50 kg de milho valem 6.000 nairas", explicou um dos habitantes de uma aldeia contaminada à AFP.
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Hungria declara emergência após vazamento de lama vermelha e tóxica
Hungria declara emergência após vazamento de lama vermelha e tóxica
15 minutos atrás
BUDAPESTE (AFP) - A Hungria declarou estado de emergência nesta terça-feira após um vazamento de lama tóxica que atingiu várias cidades, deixando quatro mortos e 120 afetados, no que as autoridades do país já consideram o pior acidente químico do país.
Oito pessoas se encontram em estado grave e outras seis pessoas estão desaparecidas, desde que os muros de um reservatório de resíduos de uma fábrica de alumínio cederam na tarde de segunda-feira.
As autoridades temem que o número de mortos possa aumentar.
Três cidades foram invadidas por 1,1 milhão de metros cúbicos de lama vermelha tóxica do reservatório de Ajka, 165 km a oeste de Budapeste.
"É uma catástrofe ecológica", disse o secretário de Estado para o Meio ambiente, Zoltan Illes, que visitou a área esta terça, e descreveu o que viu de o pior acidente químico da história da Hungria.
O ministério do Interior declarou estado de emergência nos condados de Veszprem, Gyor-Moson-Sopron e Vas.
Entre os mortos estão duas crianças, de um e três anos de idade, disse Karoly Tily, prefeito de Kolontar, uma das cidades atingidas.
Um homem de 25 anos morreu quando seu carro foi revirado pela enxurrada e um idoso faleceu em casa, relatou o chefe das equipes de socorro, Gyorgy Bakondi.
Entre os afetados estão oito policiais, oito bombeiros e um soldado. Sessenta e duas pessoas estão hospitalizadas e os danos à saúde apresentados pelas vítimas incluem queimaduras.
Até 40 quilômetros quadrados foram atingidos pelo vazamento e há o temor de que parte dos sedimentos tenham atingido o rio Marcal, com risco potencial de contaminação dos afluentes Raba e Danúbio.
A lama tóxica poderia chegar ao Danúbio em quatro ou cinco dias, disse o subchefe da companhia de gestão de águas para o oeste da Hungria, Sandor Toth.
"Do ponto de vista da gestão hídrica, é uma catástrofe", disse Toth.
Cientistas afirmam que a lama poderia destruir o solo e as plantas pelo simples contato, e preveem mortandade de peixes se ela chegar aos rios.
Segundo Illes, para evitar a contaminação, helicópteros do exército lançaram agentes neutralizantes nas águas do Marcal.
A lama vermelha é um resíduo tóxico da produção de alumínio e contém substâncias danosas, tais como chumbo e elementos altamente corrosivos.
A produção de uma tonelada de alumínio gera quase três de lama vermelha.
Proprietária do reservatório, a Companhia Húngara de Produção e Comércio de Alumínio (MAL) informou ter iniciado os trabalhos de reparos nos tanques danificados para evitar futuros vazamentos.
A companhia anunciou, em um comunicado, que mesmo depois do vazamento, até 98% da lama vermelha ainda permaneciam contidos no reservatório.
Segundo a secretaria de Estado de Meio Ambiente, a empresa aparentemente manteve sua produção mesmo depois do vazamento, embora recebido ordens para suspender a produção imediatamente. O órgão ambiental anunciou, ainda, as suspeitas de que mais lama vermelha estaria sendo armazenada no reservatório do que o permitido ou que os contêineres não teriam sido preparados adequadamente.
Mas a companhia informou que uma inspeção no local foi feita no dia do acidente e que os testes realizados não revelaram indícios de uma catástrofe, insistindo em que, segundo as diretrizes da União Europeia, a lama vermelha não é considerada resíduo perigoso e que seus componentes não são solúveis em água.
"Segundo exames diários e anuais, tudo estava indo bem, portanto gostaríamos de aguardar até o fim da investigação oficial" para ver o que saiu errado, disse o diretor da MAL, Zoltan Bakonyi, em entrevista coletiva.
O ministro do Interior, Sandor Pinter, que também visitou Kolontar, afirmou não haver risco imediato de futuros vazamentos.
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15 minutos atrás
BUDAPESTE (AFP) - A Hungria declarou estado de emergência nesta terça-feira após um vazamento de lama tóxica que atingiu várias cidades, deixando quatro mortos e 120 afetados, no que as autoridades do país já consideram o pior acidente químico do país.
Oito pessoas se encontram em estado grave e outras seis pessoas estão desaparecidas, desde que os muros de um reservatório de resíduos de uma fábrica de alumínio cederam na tarde de segunda-feira.
As autoridades temem que o número de mortos possa aumentar.
Três cidades foram invadidas por 1,1 milhão de metros cúbicos de lama vermelha tóxica do reservatório de Ajka, 165 km a oeste de Budapeste.
"É uma catástrofe ecológica", disse o secretário de Estado para o Meio ambiente, Zoltan Illes, que visitou a área esta terça, e descreveu o que viu de o pior acidente químico da história da Hungria.
O ministério do Interior declarou estado de emergência nos condados de Veszprem, Gyor-Moson-Sopron e Vas.
Entre os mortos estão duas crianças, de um e três anos de idade, disse Karoly Tily, prefeito de Kolontar, uma das cidades atingidas.
Um homem de 25 anos morreu quando seu carro foi revirado pela enxurrada e um idoso faleceu em casa, relatou o chefe das equipes de socorro, Gyorgy Bakondi.
Entre os afetados estão oito policiais, oito bombeiros e um soldado. Sessenta e duas pessoas estão hospitalizadas e os danos à saúde apresentados pelas vítimas incluem queimaduras.
Até 40 quilômetros quadrados foram atingidos pelo vazamento e há o temor de que parte dos sedimentos tenham atingido o rio Marcal, com risco potencial de contaminação dos afluentes Raba e Danúbio.
A lama tóxica poderia chegar ao Danúbio em quatro ou cinco dias, disse o subchefe da companhia de gestão de águas para o oeste da Hungria, Sandor Toth.
"Do ponto de vista da gestão hídrica, é uma catástrofe", disse Toth.
Cientistas afirmam que a lama poderia destruir o solo e as plantas pelo simples contato, e preveem mortandade de peixes se ela chegar aos rios.
Segundo Illes, para evitar a contaminação, helicópteros do exército lançaram agentes neutralizantes nas águas do Marcal.
A lama vermelha é um resíduo tóxico da produção de alumínio e contém substâncias danosas, tais como chumbo e elementos altamente corrosivos.
A produção de uma tonelada de alumínio gera quase três de lama vermelha.
Proprietária do reservatório, a Companhia Húngara de Produção e Comércio de Alumínio (MAL) informou ter iniciado os trabalhos de reparos nos tanques danificados para evitar futuros vazamentos.
A companhia anunciou, em um comunicado, que mesmo depois do vazamento, até 98% da lama vermelha ainda permaneciam contidos no reservatório.
Segundo a secretaria de Estado de Meio Ambiente, a empresa aparentemente manteve sua produção mesmo depois do vazamento, embora recebido ordens para suspender a produção imediatamente. O órgão ambiental anunciou, ainda, as suspeitas de que mais lama vermelha estaria sendo armazenada no reservatório do que o permitido ou que os contêineres não teriam sido preparados adequadamente.
Mas a companhia informou que uma inspeção no local foi feita no dia do acidente e que os testes realizados não revelaram indícios de uma catástrofe, insistindo em que, segundo as diretrizes da União Europeia, a lama vermelha não é considerada resíduo perigoso e que seus componentes não são solúveis em água.
"Segundo exames diários e anuais, tudo estava indo bem, portanto gostaríamos de aguardar até o fim da investigação oficial" para ver o que saiu errado, disse o diretor da MAL, Zoltan Bakonyi, em entrevista coletiva.
O ministro do Interior, Sandor Pinter, que também visitou Kolontar, afirmou não haver risco imediato de futuros vazamentos.
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Água doce e ameaçada
Divulgação Científica
Água doce e ameaçada
30/9/2010
Agência FAPESP – Uma análise em escala global, que poderá auxiliar a identificar as áreas em que a disponibilidade de água para consumo estão mais ameaçadas no mundo, é o destaque na edição desta quinta-feira (30/9) da revista Nature.
A pesquisa, feita por cientistas da Austrália, Estados Unidos, Alemanha e China, destaca as maiores ameaças tanto à segurança da água como à biodiversidade nos rios do planeta.
Apesar de a água ser o mais essencial dos recursos naturais, os sistemas de água doce que podem ser usados para consumo humano estão fortemente ameaçados justamente pelo homem, principalmente pela poluição e também como resultado de processos como a urbanização, industrialização, irrigação e a construção de reservatórios.
Soma-se a isso o aquecimento global e o resultado está longe de ser animador. Segundo os autores do estudo, desenvolver alternativas que possam reverter essa tendência exige primeiramente que se tenha um diagnóstico das ameaças à segurança da água tanto no nível local como no global.
Charles Vorosmarty, da Universidade da Cidade de Nova York, e colegas descrevem no artigo um modelo espacial que fornece uma análise global das ameaças à água doce. É o primeiro modelo a considerar a segurança da água usada para consumo humano em conjunto com a biodiversidade aquática.
Além de listar quais são as principais ameaças, o estudo identifica as áreas de maior risco. Segundo o trabalho, grandes investimentos no uso e no tratamento de água nos países mais ricos têm beneficiado seus habitantes, diminuindo em até 95% a ameaça à segurança da água nesses locais.
Em compensação, nos países mais pobres os investimentos reduzidos no setor implicam que a vulnerabilidade ao problema nessas áreas é muito elevada.
Mas, mesmo nas nações mais ricas, de acordo com a pesquisa, os investimentos em massa em tecnologia de uso da água têm permitido “ofuscar os níveis de estresse”, mas sem remediar as causas por trás do problema.
O estudo concluiu que 80% da população mundial está exposta a níveis elevados de ameaças à segurança da água. A falta de investimento no cuidado dos rios e corpos de água doce também coloca em risco a biodiversidade, indicam os autores.
“A proliferação de áreas densamente povoadas em zonas costeiras, incluindo megacidades, implica que seus rios apresentem alto nível de ameaças à segurança da água por virtualmente toda a sua extensão, como, por exemplo, o Paraíba do Sul, no Estado de São Paulo, o Pasig, em Manila, nas Filipinas, e o Ogun, em Lagos, na Nigéria”, disseram.
Segundo eles, é urgente a necessidade de mobilizar recursos para apoiar abordagens que possam enfrentar o problema. “Sem grandes compromissos políticos e financeiros, contrastes marcantes na segurança da água usada por humanos continuarão a separar os ricos dos pobres”, afirmam.
O artigo Global threats to human water security and river biodiversity (doi:10.1038/nature09440), de Charles Vorosmarty e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
Água doce e ameaçada
30/9/2010
Agência FAPESP – Uma análise em escala global, que poderá auxiliar a identificar as áreas em que a disponibilidade de água para consumo estão mais ameaçadas no mundo, é o destaque na edição desta quinta-feira (30/9) da revista Nature.
A pesquisa, feita por cientistas da Austrália, Estados Unidos, Alemanha e China, destaca as maiores ameaças tanto à segurança da água como à biodiversidade nos rios do planeta.
Apesar de a água ser o mais essencial dos recursos naturais, os sistemas de água doce que podem ser usados para consumo humano estão fortemente ameaçados justamente pelo homem, principalmente pela poluição e também como resultado de processos como a urbanização, industrialização, irrigação e a construção de reservatórios.
Soma-se a isso o aquecimento global e o resultado está longe de ser animador. Segundo os autores do estudo, desenvolver alternativas que possam reverter essa tendência exige primeiramente que se tenha um diagnóstico das ameaças à segurança da água tanto no nível local como no global.
Charles Vorosmarty, da Universidade da Cidade de Nova York, e colegas descrevem no artigo um modelo espacial que fornece uma análise global das ameaças à água doce. É o primeiro modelo a considerar a segurança da água usada para consumo humano em conjunto com a biodiversidade aquática.
Além de listar quais são as principais ameaças, o estudo identifica as áreas de maior risco. Segundo o trabalho, grandes investimentos no uso e no tratamento de água nos países mais ricos têm beneficiado seus habitantes, diminuindo em até 95% a ameaça à segurança da água nesses locais.
Em compensação, nos países mais pobres os investimentos reduzidos no setor implicam que a vulnerabilidade ao problema nessas áreas é muito elevada.
Mas, mesmo nas nações mais ricas, de acordo com a pesquisa, os investimentos em massa em tecnologia de uso da água têm permitido “ofuscar os níveis de estresse”, mas sem remediar as causas por trás do problema.
O estudo concluiu que 80% da população mundial está exposta a níveis elevados de ameaças à segurança da água. A falta de investimento no cuidado dos rios e corpos de água doce também coloca em risco a biodiversidade, indicam os autores.
“A proliferação de áreas densamente povoadas em zonas costeiras, incluindo megacidades, implica que seus rios apresentem alto nível de ameaças à segurança da água por virtualmente toda a sua extensão, como, por exemplo, o Paraíba do Sul, no Estado de São Paulo, o Pasig, em Manila, nas Filipinas, e o Ogun, em Lagos, na Nigéria”, disseram.
Segundo eles, é urgente a necessidade de mobilizar recursos para apoiar abordagens que possam enfrentar o problema. “Sem grandes compromissos políticos e financeiros, contrastes marcantes na segurança da água usada por humanos continuarão a separar os ricos dos pobres”, afirmam.
O artigo Global threats to human water security and river biodiversity (doi:10.1038/nature09440), de Charles Vorosmarty e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
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