Venda de antibióticos só poderá ocorrer com retenção da receita na farmácia
27 de outubro de 2010
Os antibióticos vendidos nas farmácias e drogarias do país só poderão ser entregues ao consumidor mediante receita de controle especial em duas vias. A primeira via ficará retida no estabelecimento farmacêutico e a segunda deverá ser devolvida ao paciente com carimbo para comprovar o atendimento. A determinação da Anvisa será publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (28/10).
A retenção das receitas dos antibióticos será obrigatória a partir de 28 de novembro de 2010. A partir deste dia, os prescritores devem atentar para a necessidade de entregar, de forma legível e sem rasuras, duas vias do receituário aos pacientes.
As embalagens e bulas também terão que mudar e incluir a seguinte frase: “VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA - SÓ PODE SER VENDIDO COM RETENÇÃO DA RECEITA”. As empresas terão 180 dias para fazer as adequações de rotulagem.
A nova norma definiu, também, novo prazo de validade para as receitas, que passa a ser de 10 dias, devido às especificidades dos mecanismos de ação dos antimicrobianos. Todas as prescrições deverão, ainda, ser escrituradas, ou seja, ter suas movimentações registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). O prazo para que as farmácias iniciem esse registro e concluam a adesão ao sistema é de 180 dias.
As medidas valem para mais de 90 substâncias antimicrobianas, que abrangem todos os antibióticos com registro no país, com exceção dos que tem uso exclusivo no ambiente hospitalar. O objetivo da Anvisa, ao ampliar o controle sobre esses produtos, é contribuir para a redução da resistência bacteriana na comunidade.
- Confira a íntegra da resolução
- Esclarecimento aos estabelecimentos
Dados
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 50% das prescrições de antibióticos no mundo são inadequadas. Só no Brasil, o comércio de antibióticos movimentou, em 2009, cerca de R$ 1,6 bilhão, segundo relatório do instituto IMS Health.
Vanessa Amaral - Imprensa/Anvisa
Blog da Associação dos Servidores da SOHIDRA - ASSO, destinado à troca de informações com nossos colegas, colaboradores e população em geral.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
MOVIMENTO DE COMBATE À CORRUPÇÃO ELEITORAL
MOVIMENTO DE COMBATE À CORRUPÇÃO ELEITORAL
NOTA PÚBLICA
No dia 10 de dezembro de 2007, na sua sede localizada no Conselho Federal da OAB, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), rede composta por 50 organizações da sociedade civil brasileira, decidiu convidar o povo brasileiro ao desafio de construir uma lei diferente, surgida das ruas, associações, igrejas, escolas e universidades: a Lei da Ficha Limpa.
Conquistamos a sociedade brasileira para esse projeto. Desconstruímos preconceitos jurídicos e redefinimos padrões de reflexão jurídico-políticos: os mandatos não são patrimônios privados e as candidaturas são concessões da coletividade, não direitos individuais. Afinal, o poder emana do povo.
Parabenizamos o Congresso Nacional pela aprovação do projeto de lei. Congratulamo-nos com todos os Ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal que, movidos pelo mais profundo espírito cívico e por uma leitura contemporânea da Constituição, superaram as incorretas críticas que alguns teimavam em dirigir à iniciativa popular, reconhecendo a validade da mais querida das leis brasileiras. Consideramos que a serenidade, a urbanidade e o uso de fundamentos idôneos devem fazer parte da vida do Judiciário. Os cidadãos e as entidades que com seriedade elaboraram e trabalharam na construção do projeto de lei, por outro lado, merecem todo o respeito.
Esclarecemos que as organizações que realizaram a Campanha Ficha Limpa são as mesmas que se puseram contra a ditadura militar. E, se essa mesma sociedade mobilizou-se para ver longe da esfera política os que não honraram os votos que receberam, foi em virtude de assistir imperar a impunidade no tocante a crimes da maior gravidade. Acreditamos na Constituição brasileira, que reconhece na iniciativa popular uma das formas de expressão direta do soberano: o conjunto dos cidadãos.
Reafirmamos que quem renuncia a um mandato público para atingir objetivos egoísticos não merece mandato. Essa medida já constava, sim, do texto original do projeto de lei de iniciativa popular. Trata-se de dispositivo que não sofreu qualquer retoque no Parlamento, que o aprovou por unanimidade em suas duas casas.
Convidamos toda a sociedade brasileira a permanecer mobilizada até que finalmente seja afastado o risco de que o novo Ministro a ser escolhido para integrar o Supremo Tribunal venha a se posicionar contra a Lei da Ficha Limpa em qualquer dos seus aspectos. Uma escolha política não pode implicar no fim da maior conquista jurídica brasileira no combate à corrupção política.
Brasília, 3 de novembro de 2010.
NOTA PÚBLICA
No dia 10 de dezembro de 2007, na sua sede localizada no Conselho Federal da OAB, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), rede composta por 50 organizações da sociedade civil brasileira, decidiu convidar o povo brasileiro ao desafio de construir uma lei diferente, surgida das ruas, associações, igrejas, escolas e universidades: a Lei da Ficha Limpa.
Conquistamos a sociedade brasileira para esse projeto. Desconstruímos preconceitos jurídicos e redefinimos padrões de reflexão jurídico-políticos: os mandatos não são patrimônios privados e as candidaturas são concessões da coletividade, não direitos individuais. Afinal, o poder emana do povo.
Parabenizamos o Congresso Nacional pela aprovação do projeto de lei. Congratulamo-nos com todos os Ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal que, movidos pelo mais profundo espírito cívico e por uma leitura contemporânea da Constituição, superaram as incorretas críticas que alguns teimavam em dirigir à iniciativa popular, reconhecendo a validade da mais querida das leis brasileiras. Consideramos que a serenidade, a urbanidade e o uso de fundamentos idôneos devem fazer parte da vida do Judiciário. Os cidadãos e as entidades que com seriedade elaboraram e trabalharam na construção do projeto de lei, por outro lado, merecem todo o respeito.
Esclarecemos que as organizações que realizaram a Campanha Ficha Limpa são as mesmas que se puseram contra a ditadura militar. E, se essa mesma sociedade mobilizou-se para ver longe da esfera política os que não honraram os votos que receberam, foi em virtude de assistir imperar a impunidade no tocante a crimes da maior gravidade. Acreditamos na Constituição brasileira, que reconhece na iniciativa popular uma das formas de expressão direta do soberano: o conjunto dos cidadãos.
Reafirmamos que quem renuncia a um mandato público para atingir objetivos egoísticos não merece mandato. Essa medida já constava, sim, do texto original do projeto de lei de iniciativa popular. Trata-se de dispositivo que não sofreu qualquer retoque no Parlamento, que o aprovou por unanimidade em suas duas casas.
Convidamos toda a sociedade brasileira a permanecer mobilizada até que finalmente seja afastado o risco de que o novo Ministro a ser escolhido para integrar o Supremo Tribunal venha a se posicionar contra a Lei da Ficha Limpa em qualquer dos seus aspectos. Uma escolha política não pode implicar no fim da maior conquista jurídica brasileira no combate à corrupção política.
Brasília, 3 de novembro de 2010.
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03/11,
FICHA LIMPA
Campanha fecha com grand finale
ECONOMIA & ELEIÇÕES
Campanha fecha com grand finale
Por Rolf Kuntz em 2/11/2010
O Valor encerrou a cobertura da campanha, dois dias antes do segundo turno, com informações surpreendentes sobre os planos da então candidata Dilma Rousseff. Mais que isso: nenhum dos candidatos à Presidência da República havia apresentado programas de forma tão ampla e articulada. O jornal mostrou, entre outros pontos notáveis, uma Dilma Rousseff disposta a elevar o superávit primário para reduzir o endividamento público, a fortalecer a autonomia das agências de regulação e a rever pontos importantes da política externa, como a aproximação com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
A candidata defendeu publicamente a redução da dívida pública dos atuais 42% para 30% do Produto Interno Bruto (PIB), mas nunca falou claramente sobre como atingir essa meta. Segundo a reportagem, Dilma Rousseff pretende conter a evolução do gasto corrente e frear a evolução do salário do funcionalismo, contrariando a política de seu antecessor.
A matéria costura várias declarações da ex-ministra, mas os dados mais interessantes são apresentados sem identificação de fonte. Pode-se imaginar quem seja o "importante conselheiro da candidata" mencionado na passagem sobre o ajuste fiscal, mas a promessa de sigilo foi obviamente importante para a elaboração da reportagem. O texto fica longe, no entanto, das disputas entre facções do PT empenhadas em fazer a cabeça da agora presidente eleita.
A conferir
Na reportagem sobre os planos de José Serra, as principais fontes indicadas são o próprio candidato e colaboradores envolvidos na elaboração de seu programa de governo. A matéria menciona um "calhamaço com 40 temas e projetos para cada Estado brasileiro" – um documento não divulgado até o fim da campanha.
Em vários pontos importantes as propostas do ex-governador paulista coincidiam com as da ex-ministra, mas as de Serra eram mais detalhadas em relação à política de comércio e mais distanciadas da orientação seguida a partir de 2003. Os dois candidatos, naturalmente, prometeram trabalhar por uma reforma tributária destinada a aliviar a produção e a exportação, mas nenhum deles avançou nos detalhes.
Com dez páginas dedicadas à eleição (além da manchete de capa), o Valor fez um belo esforço para completar e arredondar sua cobertura de campanha na edição de sexta-feira (26/10), a última antes da votação do segundo turno. Como os candidatos nunca apresentaram seus planos de forma completa, foi preciso, naturalmente, assumir certo risco para produzir as matérias. Restará ao leitor conferir no dia a dia do novo governo a confirmação, ou não, dos principais pontos.
Contas e contos
Eleição à parte, as contas públicas foram o grande tema da política econômica, na última semana de outubro. Os jornais destacaram a inclusão de uma receita especial de R$ 31,9 bilhões no resultado de setembro do Tesouro Nacional. Essa receita originou-se da capitalização da Petrobras. A União recebeu um pagamento de R$ 74,8 bilhões pela cessão onerosa de uma reserva de 5 bilhões de barris e só desembolsou, para o reforço de capital da empresa, R$ 42,9 bilhões. A participação federal na operação foi completada pelo BNDESPar e pelo Fundo Soberano, com recursos fornecidos pelo Tesouro por meio da emissão de títulos. Nas contas mensais do governo central apareceu um superávit de R$ 26,1 bilhões, recorde de todos os tempos. Sem os números da capitalização, o resultado seria um déficit de R$ 5,8 bilhões.
A contabilização dos valores foi normal, segundo o secretário do Tesouro, Arno Augustín. Técnicos do Banco Central e do setor privado sustentaram opiniões diferentes. A polêmica foi registrada e a cobertura mais ampla e mais detalhada apareceu no Estado de S.Paulo e no Globo. Mais uma vez foi preciso explicar ao leitor os detalhes contábeis da operação. Esse esforço didático já havia sido feito quando o governo preparava sua participação no reforço de capital da Petrobras. Os jornais continuam devendo uma boa história sobre quem montou e como foi planejada a complicada operação destinada a transformar a transferência de recursos ao BNDESPar e ao Fundo Soberano em fonte de receita contábil para o Tesouro.
Na área empresarial, o novo plano de investimento da Vale – US$ 24 bilhões, com 63,8% destinados ao Brasil – forneceu a melhor história. A cobertura mais detalhada e mais clara ficou por conta do Estadão e do Globo (no caso deste, com um bom conjunto de gráficos e tabelas).
Enquadrando os fiscais
O Valor, mais uma vez, soube valorizar uma daquelas histórias importantes e em geral desprezadas, ou simplesmente ignoradas, pela maior parte da imprensa. O Conselho de Estabilidade Financeira, formado por autoridades monetárias de todos os países do Grupo dos 20 (G-20), elaborou um conjunto de princípios para reduzir o peso das agências de classificação de riscos na regulação e também na operação dos mercados financeiros. A matéria saiu na edição de quinta-feira (28/10). Autoridades de vários países falaram horrores das agências; quando estourou a última crise, o assunto entrou na pauta do G-20 e o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou recentemente um estudo sobre o tema.
Só o Valor, no entanto, deu importância à notícia, publicada na primeira página de seu caderno de Finanças. Para avaliar o assunto e o tamanho da briga, basta lembrar alguns detalhes. Todas as grandes crises dos últimos 20 anos – e de modo especial a iniciada em 2007 e agravada em 2008 – mostraram falhas das agências de classificação de risco. Erraram com freqüência na avaliação tanto de países quanto na de bancos e de outras instituições financeiras.
Deixaram de acionar o alarme quando o México estava a um passo de uma crise cambial em 1994, embora o perigo tenha sido apontado um semestre antes pelo Banco de Compensações Internacionais, de Basileia, também conhecido como banco central dos bancos centrais. A crise na Ásia em 1997 mais uma vez comprovou sua ineficiência. Continuaram errando na década seguinte. Deixaram de apontar a bolha de crédito e continuaram dando boas notas a bancos carregados de ativos podres.
Foram criticadas por omissão e erros de julgamento, em várias ocasiões e acusadas de servir a interesses conflitantes. Mas não perderam poder. Continuaram influentes e suas notas continuaram orientando políticas e funcionando como limitações para fundos de investimento.
A última façanha das agências foi rebaixar a dívida soberana de algumas nações européias, depois de bem conhecidos os problemas fiscais da Grécia e de outros países da zona do euro. Não apresentaram novidade sobre as dificuldades daqueles países, mas contribuíram para aumentar seus problemas de financiamento. Falharam na hora de dar o alarme e depois correram para jogar pedra nos governos já em apuros.
Campanha fecha com grand finale
Por Rolf Kuntz em 2/11/2010
O Valor encerrou a cobertura da campanha, dois dias antes do segundo turno, com informações surpreendentes sobre os planos da então candidata Dilma Rousseff. Mais que isso: nenhum dos candidatos à Presidência da República havia apresentado programas de forma tão ampla e articulada. O jornal mostrou, entre outros pontos notáveis, uma Dilma Rousseff disposta a elevar o superávit primário para reduzir o endividamento público, a fortalecer a autonomia das agências de regulação e a rever pontos importantes da política externa, como a aproximação com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.
A candidata defendeu publicamente a redução da dívida pública dos atuais 42% para 30% do Produto Interno Bruto (PIB), mas nunca falou claramente sobre como atingir essa meta. Segundo a reportagem, Dilma Rousseff pretende conter a evolução do gasto corrente e frear a evolução do salário do funcionalismo, contrariando a política de seu antecessor.
A matéria costura várias declarações da ex-ministra, mas os dados mais interessantes são apresentados sem identificação de fonte. Pode-se imaginar quem seja o "importante conselheiro da candidata" mencionado na passagem sobre o ajuste fiscal, mas a promessa de sigilo foi obviamente importante para a elaboração da reportagem. O texto fica longe, no entanto, das disputas entre facções do PT empenhadas em fazer a cabeça da agora presidente eleita.
A conferir
Na reportagem sobre os planos de José Serra, as principais fontes indicadas são o próprio candidato e colaboradores envolvidos na elaboração de seu programa de governo. A matéria menciona um "calhamaço com 40 temas e projetos para cada Estado brasileiro" – um documento não divulgado até o fim da campanha.
Em vários pontos importantes as propostas do ex-governador paulista coincidiam com as da ex-ministra, mas as de Serra eram mais detalhadas em relação à política de comércio e mais distanciadas da orientação seguida a partir de 2003. Os dois candidatos, naturalmente, prometeram trabalhar por uma reforma tributária destinada a aliviar a produção e a exportação, mas nenhum deles avançou nos detalhes.
Com dez páginas dedicadas à eleição (além da manchete de capa), o Valor fez um belo esforço para completar e arredondar sua cobertura de campanha na edição de sexta-feira (26/10), a última antes da votação do segundo turno. Como os candidatos nunca apresentaram seus planos de forma completa, foi preciso, naturalmente, assumir certo risco para produzir as matérias. Restará ao leitor conferir no dia a dia do novo governo a confirmação, ou não, dos principais pontos.
Contas e contos
Eleição à parte, as contas públicas foram o grande tema da política econômica, na última semana de outubro. Os jornais destacaram a inclusão de uma receita especial de R$ 31,9 bilhões no resultado de setembro do Tesouro Nacional. Essa receita originou-se da capitalização da Petrobras. A União recebeu um pagamento de R$ 74,8 bilhões pela cessão onerosa de uma reserva de 5 bilhões de barris e só desembolsou, para o reforço de capital da empresa, R$ 42,9 bilhões. A participação federal na operação foi completada pelo BNDESPar e pelo Fundo Soberano, com recursos fornecidos pelo Tesouro por meio da emissão de títulos. Nas contas mensais do governo central apareceu um superávit de R$ 26,1 bilhões, recorde de todos os tempos. Sem os números da capitalização, o resultado seria um déficit de R$ 5,8 bilhões.
A contabilização dos valores foi normal, segundo o secretário do Tesouro, Arno Augustín. Técnicos do Banco Central e do setor privado sustentaram opiniões diferentes. A polêmica foi registrada e a cobertura mais ampla e mais detalhada apareceu no Estado de S.Paulo e no Globo. Mais uma vez foi preciso explicar ao leitor os detalhes contábeis da operação. Esse esforço didático já havia sido feito quando o governo preparava sua participação no reforço de capital da Petrobras. Os jornais continuam devendo uma boa história sobre quem montou e como foi planejada a complicada operação destinada a transformar a transferência de recursos ao BNDESPar e ao Fundo Soberano em fonte de receita contábil para o Tesouro.
Na área empresarial, o novo plano de investimento da Vale – US$ 24 bilhões, com 63,8% destinados ao Brasil – forneceu a melhor história. A cobertura mais detalhada e mais clara ficou por conta do Estadão e do Globo (no caso deste, com um bom conjunto de gráficos e tabelas).
Enquadrando os fiscais
O Valor, mais uma vez, soube valorizar uma daquelas histórias importantes e em geral desprezadas, ou simplesmente ignoradas, pela maior parte da imprensa. O Conselho de Estabilidade Financeira, formado por autoridades monetárias de todos os países do Grupo dos 20 (G-20), elaborou um conjunto de princípios para reduzir o peso das agências de classificação de riscos na regulação e também na operação dos mercados financeiros. A matéria saiu na edição de quinta-feira (28/10). Autoridades de vários países falaram horrores das agências; quando estourou a última crise, o assunto entrou na pauta do G-20 e o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou recentemente um estudo sobre o tema.
Só o Valor, no entanto, deu importância à notícia, publicada na primeira página de seu caderno de Finanças. Para avaliar o assunto e o tamanho da briga, basta lembrar alguns detalhes. Todas as grandes crises dos últimos 20 anos – e de modo especial a iniciada em 2007 e agravada em 2008 – mostraram falhas das agências de classificação de risco. Erraram com freqüência na avaliação tanto de países quanto na de bancos e de outras instituições financeiras.
Deixaram de acionar o alarme quando o México estava a um passo de uma crise cambial em 1994, embora o perigo tenha sido apontado um semestre antes pelo Banco de Compensações Internacionais, de Basileia, também conhecido como banco central dos bancos centrais. A crise na Ásia em 1997 mais uma vez comprovou sua ineficiência. Continuaram errando na década seguinte. Deixaram de apontar a bolha de crédito e continuaram dando boas notas a bancos carregados de ativos podres.
Foram criticadas por omissão e erros de julgamento, em várias ocasiões e acusadas de servir a interesses conflitantes. Mas não perderam poder. Continuaram influentes e suas notas continuaram orientando políticas e funcionando como limitações para fundos de investimento.
A última façanha das agências foi rebaixar a dívida soberana de algumas nações européias, depois de bem conhecidos os problemas fiscais da Grécia e de outros países da zona do euro. Não apresentaram novidade sobre as dificuldades daqueles países, mas contribuíram para aumentar seus problemas de financiamento. Falharam na hora de dar o alarme e depois correram para jogar pedra nos governos já em apuros.
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02/11,
Observatório da Imprensa
Comissão Especial define prazo para emendas à Lei de Recursos Hídricos
Comissão Especial define prazo para emendas à Lei de Recursos Hídricos
A Comissão Especial para Elaboração do Projeto de Revisão e Atualização da Legislação Estadual de Recursos Hídricos vai receber propostas de emenda até o dia 18 de novembro. A data foi definida na tarde desta quinta-feira (04/11), quando a Comissão realizou sua segunda reunião ordinária.
O presidente da Comissão, deputado Sérgio Aguiar (PSB), destacou a necessidade de modernização da lei e lembrou que a mudança foi proposta durante o Pacto das Águas, após amplo debate. Ele disse que o anteprojeto já foi aprovado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos e ressaltou que o projeto deve ser apreciado pela Comissão Especial este mês e votado em plenário ainda neste ano.
O secretário executivo do Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos da Assembleia Legislativa, Eudoro Santana, afirmou que o projeto traz aspectos mais modernos, como a descentralização e participação da sociedade na gestão dos recursos hídricos.
Eudoro ressaltou que a estrutura judiciária do Ceará é pioneira, mas a lei estadual é anterior à Política Nacional de Recursos Hídricos e precisa ser atualizada. “O Pacto das Águas propôs a revisão da legislação, e o projeto apresenta questões como o reuso e a qualidade da água, a participação dos municípios na gestão e a utilização das águas subterrâneas”, informou.
Também participou da reunião o líder do Governo, deputado Nelson Martins (PT); o engenheiro agrônomo Antônio Martins Costa, Consultor do Conselho de Altos Estudos e técnicos da Casa.
CV/LF
A Comissão Especial para Elaboração do Projeto de Revisão e Atualização da Legislação Estadual de Recursos Hídricos vai receber propostas de emenda até o dia 18 de novembro. A data foi definida na tarde desta quinta-feira (04/11), quando a Comissão realizou sua segunda reunião ordinária.
O presidente da Comissão, deputado Sérgio Aguiar (PSB), destacou a necessidade de modernização da lei e lembrou que a mudança foi proposta durante o Pacto das Águas, após amplo debate. Ele disse que o anteprojeto já foi aprovado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos e ressaltou que o projeto deve ser apreciado pela Comissão Especial este mês e votado em plenário ainda neste ano.
O secretário executivo do Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos da Assembleia Legislativa, Eudoro Santana, afirmou que o projeto traz aspectos mais modernos, como a descentralização e participação da sociedade na gestão dos recursos hídricos.
Eudoro ressaltou que a estrutura judiciária do Ceará é pioneira, mas a lei estadual é anterior à Política Nacional de Recursos Hídricos e precisa ser atualizada. “O Pacto das Águas propôs a revisão da legislação, e o projeto apresenta questões como o reuso e a qualidade da água, a participação dos municípios na gestão e a utilização das águas subterrâneas”, informou.
Também participou da reunião o líder do Governo, deputado Nelson Martins (PT); o engenheiro agrônomo Antônio Martins Costa, Consultor do Conselho de Altos Estudos e técnicos da Casa.
CV/LF
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Contatos da AL.CE
Estudo questiona validade da chuva artificial
Estudo questiona validade da chuva artificial
3/11/2010
Agência FAPESP – Um novo estudo indica que a pulverização de nuvens para a produção “forçada” de chuva não funciona tão bem como se imaginava.
Em muitas áreas do mundo, como o sertão nordestino, a chuva é um recurso raro e precioso. Para estimular a precipitação, há décadas tem se experimentado semear as nuvens com produtos químicos, como iodeto de prata ou dióxido de carbono congelado (gelo seco).
Há muitos defensores do método, que já teve usos famosos, como em 2008 nos Jogos Olímpicos de Pequim, quando grande quantidade de partículas foi pulverizada em nuvens para que chovesse antes – e não durante – as provas esportivas.
Mas, de acordo com a nova pesquisa, feita por cientistas do Departamento de Geofísica da Universidade de Tel Aviv, em Israel, o mecanismo não é eficiente. Os resultados foram publicados na revista Atmospheric Research.
O estudo analisou dados sobre pulverização de nuvens nos últimos 50 anos, detendo-se particularmente nos efeitos da atividade em uma área no norte de Israel.
O grupo comparou estatísticas de períodos sem pulverização e com pulverização, bem como a precipitação em áreas adjacentes e em que não houve tentativas de produção de chuvas.
“Ao comparar as estatísticas de chuva com períodos de pulverização, conseguimos ver que os aumentos na precipitação ocorreram ao acaso. Os aumentos foram devidos a mudanças de padrões climáticos e não à semeadura de nuvens”, disse Pinhas Alpert, um dos autores do trabalho.
O mais destacado foi um período de seis anos de aumento na precipitação, que se acreditava ter sido um bem-sucedido resultado da chuva artificial. Pinhas e colegas verificaram que a elevação correspondeu à manifestação de um tipo específico de ciclone, consistente com o aumento de chuvas sobre as regiões montanhosas em Israel que foram pulverizadas.
Os pesquisadores observaram que no período também houve um aumento nas chuvas sobre os montes da Jureia, área na qual não foi feita a semeadura de nuvens.
Apesar de ser um método caro, há atualmente mais de 80 projetos de pulverização de nuvens em andamento no mundo, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial.
Apesar das iniciativas, segundo Pinhas não há, até o momento, provas de que o método realmente funciona. A exceção, ressalta o cientista, é se a semeadura for feita em nuvens orográficas, que são formadas sobre montanhas e duram pouco.
O artigo Reassessment of rain enhancement experiments and operations in Israel including synoptic considerations (doi:10.1016/j.atmosres.2010.06.011), de Pinhas Alpert e outros, pode ser lido por assinantes da Atmospheric Research em http://dx.doi.org/10.1016/j.atmosres.2010.06.011.
3/11/2010
Agência FAPESP – Um novo estudo indica que a pulverização de nuvens para a produção “forçada” de chuva não funciona tão bem como se imaginava.
Em muitas áreas do mundo, como o sertão nordestino, a chuva é um recurso raro e precioso. Para estimular a precipitação, há décadas tem se experimentado semear as nuvens com produtos químicos, como iodeto de prata ou dióxido de carbono congelado (gelo seco).
Há muitos defensores do método, que já teve usos famosos, como em 2008 nos Jogos Olímpicos de Pequim, quando grande quantidade de partículas foi pulverizada em nuvens para que chovesse antes – e não durante – as provas esportivas.
Mas, de acordo com a nova pesquisa, feita por cientistas do Departamento de Geofísica da Universidade de Tel Aviv, em Israel, o mecanismo não é eficiente. Os resultados foram publicados na revista Atmospheric Research.
O estudo analisou dados sobre pulverização de nuvens nos últimos 50 anos, detendo-se particularmente nos efeitos da atividade em uma área no norte de Israel.
O grupo comparou estatísticas de períodos sem pulverização e com pulverização, bem como a precipitação em áreas adjacentes e em que não houve tentativas de produção de chuvas.
“Ao comparar as estatísticas de chuva com períodos de pulverização, conseguimos ver que os aumentos na precipitação ocorreram ao acaso. Os aumentos foram devidos a mudanças de padrões climáticos e não à semeadura de nuvens”, disse Pinhas Alpert, um dos autores do trabalho.
O mais destacado foi um período de seis anos de aumento na precipitação, que se acreditava ter sido um bem-sucedido resultado da chuva artificial. Pinhas e colegas verificaram que a elevação correspondeu à manifestação de um tipo específico de ciclone, consistente com o aumento de chuvas sobre as regiões montanhosas em Israel que foram pulverizadas.
Os pesquisadores observaram que no período também houve um aumento nas chuvas sobre os montes da Jureia, área na qual não foi feita a semeadura de nuvens.
Apesar de ser um método caro, há atualmente mais de 80 projetos de pulverização de nuvens em andamento no mundo, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial.
Apesar das iniciativas, segundo Pinhas não há, até o momento, provas de que o método realmente funciona. A exceção, ressalta o cientista, é se a semeadura for feita em nuvens orográficas, que são formadas sobre montanhas e duram pouco.
O artigo Reassessment of rain enhancement experiments and operations in Israel including synoptic considerations (doi:10.1016/j.atmosres.2010.06.011), de Pinhas Alpert e outros, pode ser lido por assinantes da Atmospheric Research em http://dx.doi.org/10.1016/j.atmosres.2010.06.011.
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Agência FAPESP
Recém-lançado, o livro O guia completo dos dinossauros do Brasil (Editora Peirópolis),
Recém-lançado, o livro O guia completo dos dinossauros do Brasil (Editora Peirópolis, 222 páginas, R$ 62,00) apresenta ao leitor, de forma didática e por meio de fartas e belas ilustrações, 21 espécies de dinossauros cujos restos foram localizados em território nacional. A obra foi escrita pelo paleontólogo Luiz Eduardo Anelli, professor do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP). As prováveis formas dos dinossauros brasileiros foram reconstituídas a partir da análise de seus registros fósseis, num trabalho unindo ciência e arte feito por Felipe Alves Elias, também paleontólogo.
A ideia de escrever o guia surgiu depois de Anelli ter sido curador da mostra Dinos na Oca, que atraiu um público de 550 mil pessoas ao Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, entre dezembro de 2005 e fevereiro de 2006. “As pessoas me fizeram muitas perguntas sobre os dinossauros do Brasil”, diz o paleontólogo. Como cientista, Anelli estuda moluscos e conchas das eras Paleo zoica e Cenozoica do Brasil e da Antártica, que já estavam na Terra muito antes de aparecerem os primeiros dinossauros. Como divulgador da ciência, é um especialista nesses míticos répteis que surgiram aproximadamente 230 milhões de anos atrás e desapareceram misteriosamente há 65 milhões de anos.
Alguns dos mais antigos fósseis de dinossauros foram encontrados no Brasil, como o Staurikosausus pricei, um veloz bípede carnívoro que atingia dois metros de comprimento, ou o Saturnalia tupiniquim, um quadrúpede pescoçudo de tamanho similar que comia plantas e pequenos animais. Ambos viveram há aproximadamente 225 milhões de anos, no período Triássico, e seus vestígios foram resgatados no município gaúcho de Santa Maria. Aqui também havia animais enormes. Esse era o caso do titanossauro Antarctosaurus brasiliensis, um quadrúpede herbívoro que atingia até 40 metros de comprimento e viveu na região paulista de São José do Rio Preto cerca de 80 milhões de anos atrás. Estudiosos de todas as latitudes admiram os resquícios desses bichos do passado descobertos em terras tropicais, mas poucos brasileiros conhecem sua existência. O livro pretende preencher essa lacuna. “Tento dar sempre os contextos temporal, geológico e biológico em que cada espécie foi encontrada no Brasil’, afirma Anelli. Na obra, o paleon tólogo dá pinceladas sobre a origem da vida na Terra e a gênese, a evolução e o desaparecimento dos dinossauros. O autor ainda ajuda o leitor a compreender por que as aves são os únicos descendentes dos dinossauros.
© DIVULGAÇÃO
Capa de O guia completo dos dinossauros do Brasil
Comparações com a forte paleon tologia argentina, que já descobriu mais de 110 espécies de dinossauros, são também uma constante no guia. Segundo Anelli, estes são alguns dos motivos que explicam a menor ocorrência de dinossauros em terras nacionais em relação ao vizinho do sul: o estudo desses bichos começou quase 80 anos antes na Argentina do que no Brasil; durante o período Cretáceo, em que foi encontrada a maior parte das espécies de dinossauros conhecidos dos dois países, o clima na Argentina era mais úmido e propício à diversidade de vegetação e de animais e, por fim, as condições climáticas e geólogicas atuais na nação platina são melhores para a preservação de fósseis nas rochas. “A grande diferença se deveu mesmo às condições naturais do nosso Cretáceo, que tinha um clima semiárido com pouca diversidade de animais terrestres se comparada à existente na Argentina no mesmo período”, diz Anelli.
O livro terá de ser atualizado periodicamente, pois a paleontologia nacional não para de produzir novos achados. No mês passado, uma equipe do Museu de Zoologia da USP apresentou uma nova espécie de titanossauro, um herbívoro de 13 metros de comprimento que viveu há cerca de 120 milhões de anos em Minas Gerais. Por ora, seu apelido é Tapuiassauro, um nome brasileiríssimo.
A ideia de escrever o guia surgiu depois de Anelli ter sido curador da mostra Dinos na Oca, que atraiu um público de 550 mil pessoas ao Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, entre dezembro de 2005 e fevereiro de 2006. “As pessoas me fizeram muitas perguntas sobre os dinossauros do Brasil”, diz o paleontólogo. Como cientista, Anelli estuda moluscos e conchas das eras Paleo zoica e Cenozoica do Brasil e da Antártica, que já estavam na Terra muito antes de aparecerem os primeiros dinossauros. Como divulgador da ciência, é um especialista nesses míticos répteis que surgiram aproximadamente 230 milhões de anos atrás e desapareceram misteriosamente há 65 milhões de anos.
Alguns dos mais antigos fósseis de dinossauros foram encontrados no Brasil, como o Staurikosausus pricei, um veloz bípede carnívoro que atingia dois metros de comprimento, ou o Saturnalia tupiniquim, um quadrúpede pescoçudo de tamanho similar que comia plantas e pequenos animais. Ambos viveram há aproximadamente 225 milhões de anos, no período Triássico, e seus vestígios foram resgatados no município gaúcho de Santa Maria. Aqui também havia animais enormes. Esse era o caso do titanossauro Antarctosaurus brasiliensis, um quadrúpede herbívoro que atingia até 40 metros de comprimento e viveu na região paulista de São José do Rio Preto cerca de 80 milhões de anos atrás. Estudiosos de todas as latitudes admiram os resquícios desses bichos do passado descobertos em terras tropicais, mas poucos brasileiros conhecem sua existência. O livro pretende preencher essa lacuna. “Tento dar sempre os contextos temporal, geológico e biológico em que cada espécie foi encontrada no Brasil’, afirma Anelli. Na obra, o paleon tólogo dá pinceladas sobre a origem da vida na Terra e a gênese, a evolução e o desaparecimento dos dinossauros. O autor ainda ajuda o leitor a compreender por que as aves são os únicos descendentes dos dinossauros.
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Capa de O guia completo dos dinossauros do Brasil
Comparações com a forte paleon tologia argentina, que já descobriu mais de 110 espécies de dinossauros, são também uma constante no guia. Segundo Anelli, estes são alguns dos motivos que explicam a menor ocorrência de dinossauros em terras nacionais em relação ao vizinho do sul: o estudo desses bichos começou quase 80 anos antes na Argentina do que no Brasil; durante o período Cretáceo, em que foi encontrada a maior parte das espécies de dinossauros conhecidos dos dois países, o clima na Argentina era mais úmido e propício à diversidade de vegetação e de animais e, por fim, as condições climáticas e geólogicas atuais na nação platina são melhores para a preservação de fósseis nas rochas. “A grande diferença se deveu mesmo às condições naturais do nosso Cretáceo, que tinha um clima semiárido com pouca diversidade de animais terrestres se comparada à existente na Argentina no mesmo período”, diz Anelli.
O livro terá de ser atualizado periodicamente, pois a paleontologia nacional não para de produzir novos achados. No mês passado, uma equipe do Museu de Zoologia da USP apresentou uma nova espécie de titanossauro, um herbívoro de 13 metros de comprimento que viveu há cerca de 120 milhões de anos em Minas Gerais. Por ora, seu apelido é Tapuiassauro, um nome brasileiríssimo.
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